São tantas as formas de sucesso, que me perco no processo para elas alcançar.
Com um mundo tão louco e corrido, sinto meu eu reprimido parado no mesmo lugar.
Um eu confuso e cansado, profundamente abalado tentando achar
um outro eu parecido com o que esse mundo corrido exige para se encaixar.
Tenho no meu quarto um guarda-roupas de eus para usar.
Cada dia que acordo, no café me recordo do dia que vou levar.
Do guarda-roupas eu tiro o eu em que me viro para o dia passar.
São tantos eus diferentes que de certo às vezes venho a me enganar.
E me visto de um eu destoado, totalmente ao contrário do que o dia está a chamar.
Às vezes me canso, visto meu eu de descanso e vou ver o mar.
Ou acordo ativo, visto meu eu executivo doido pra trabalhar.
Tenho até um eu salafrário, no fundo do armário, caso eu queira usar.
Mas esse anda empoeirado, só ocupa espaço, tô pensando em doar.
Uma coisa é certa, cansei dessa merda, enfiem os eus no cu!
Vou ligar o foda-se, lançar nova moda e sair nu!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sinfonia
Tranquila, serena, a noite cai.
Aos poucos, bem lento, o sono vem.
Lá fora a cidade vai se apagando
o silêncio, sem pressa, vai me embalando.
A lua ilumina absoluta
revelando a silhueta do horizonte.
Observo desenhos no céu estrelado,
enquanto os instrumentos vão sendo afinados.
No céu, segue sozinho um tracejado.
Precede o show noturno que está por vir.
Os músicos estão lá fora, já preparados,
para tocar o som que ninguém quer ouvir.
Estalos, quase melódicos, no início lentos,
avançam, evoluem, junto com a noite.
Vão de lentos a acelerados de tempo em tempo,
chegam até a cessar em curtos momentos.
A música prossegue ritmada...
Amanhã, alguns ouvintes serão manchete.
O preço que se paga pelo espetáculo
são vidas que são tiradas a cada ato.
Escolha? Não tenho escolha! Continuo ouvindo!
Volume? Não tem volume! O som é ao vivo!
Medo! Eu tenho medo! Você também?
Angústia! Eu quero paz e o sol não vem!
A noite segue a frente de forma lúgubre.
Enquanto isso minha janela não fica aberta,
meu sono é embalado por essa orquestra,
tocando uma marcha fúnebre pós-moderna.
Aos poucos, bem lento, o sono vem.
Lá fora a cidade vai se apagando
o silêncio, sem pressa, vai me embalando.
A lua ilumina absoluta
revelando a silhueta do horizonte.
Observo desenhos no céu estrelado,
enquanto os instrumentos vão sendo afinados.
No céu, segue sozinho um tracejado.
Precede o show noturno que está por vir.
Os músicos estão lá fora, já preparados,
para tocar o som que ninguém quer ouvir.
Estalos, quase melódicos, no início lentos,
avançam, evoluem, junto com a noite.
Vão de lentos a acelerados de tempo em tempo,
chegam até a cessar em curtos momentos.
A música prossegue ritmada...
Amanhã, alguns ouvintes serão manchete.
O preço que se paga pelo espetáculo
são vidas que são tiradas a cada ato.
Escolha? Não tenho escolha! Continuo ouvindo!
Volume? Não tem volume! O som é ao vivo!
Medo! Eu tenho medo! Você também?
Angústia! Eu quero paz e o sol não vem!
A noite segue a frente de forma lúgubre.
Enquanto isso minha janela não fica aberta,
meu sono é embalado por essa orquestra,
tocando uma marcha fúnebre pós-moderna.