segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sinfonia

Tranquila, serena, a noite cai.
Aos poucos, bem lento, o sono vem.
Lá fora a cidade vai se apagando
o silêncio, sem pressa, vai me embalando.

A lua ilumina absoluta
revelando a silhueta do horizonte.
Observo desenhos no céu estrelado,
enquanto os instrumentos vão sendo afinados.

No céu, segue sozinho um tracejado.
Precede o show noturno que está por vir.
Os músicos estão lá fora, já preparados,
para tocar o som que ninguém quer ouvir.

Estalos, quase melódicos, no início lentos,
avançam, evoluem, junto com a noite.
Vão de lentos a acelerados de tempo em tempo,
chegam até a cessar em curtos momentos.

A música prossegue ritmada...
Amanhã, alguns ouvintes serão manchete.
O preço que se paga pelo espetáculo
são vidas que são tiradas a cada ato.

Escolha? Não tenho escolha! Continuo ouvindo!
Volume? Não tem volume! O som é ao vivo!
Medo! Eu tenho medo! Você também?
Angústia! Eu quero paz e o sol não vem!

A noite segue a frente de forma lúgubre.
Enquanto isso minha janela não fica aberta,
meu sono é embalado por essa orquestra,
tocando uma marcha fúnebre pós-moderna.

Um comentário:

Criiix. disse...

Amor esse texto está MUITO bom.
Continue assim, ok?
Te amo!

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